sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

CANÇÃO À LAVADEIRA


A lavadeira no rio lavou
Suas dores e mágoas largou
A corrente veio a dissipar
O que antes lhe fazia mal
Hoje está misturado com o sal
De mil choros lançados ao mar.

Cada cantiga cantada
Na beira de um rio a correr
É na verdade a caçada
De um sentido para se viver

Ai, quem dera eu fosse
Feito um rio que não tem represa
Ah, quem dera a angústia
Se afinasse à minha certeza

De que o fim, afinal, é o começo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

CARTA SEM RESPOSTA

Olá! Como vai? Dá-me um momento…
E me fala como foi tua viagem.
Pois aqui, só me sobrou a estiagem,
Por perdê-la, um total padecimento.

Dá-me um “olá”, um sinal, algum contraste.
Eu te imploro que ateste que inda existe,
Porque aqui cada vez fico mais triste,
Convivendo com o buraco que deixaste.

Desespero é a palavra que desenha
O destino de quem não cede à saudade.
Essa vida não depende da vontade!

Ela é dura, insensível e desdenha
Desta lágrima indecente que escorre
Do poeta que escreve a quem morre.