segunda-feira, 10 de novembro de 2014

CEMITÉRIO

No cemitério, erguido em pleno mato, tudo seco: as juremas, pés de sabiá, ervas rasteiras… Nenhum canto de pássaro por perto. Coroas de flores empoeiradas e velas mortas, apagadas, escorrendo por sobre os túmulos. Fotos desbotadas. Crucifixos tombados. Solidão eterna, estéril, vingativa, ácida, silente.

Na terra de gentes idas - crua e ressequida - jazem histórias e o sal de mil lágrimas perdidas, de centenas de partidas e algumas dívidas. Um turbilhão de nada, de cinza, de morte. E a morte… ela, essa temida… essa velha feia e insistente, certeira e irremediável, aparentou-se também ridícula. É sem graça. Esteve lá à mostra, à minha fronte, em meio ao pó, aos ossos e à dor passada, lavada e penitente.  Eu, encarando a sua face, como antes tantas vezes e como, infelizmente, num depois que ainda não veio, por certo, embora contra minha vontade e rindo-me por dentro… calei meus adjetivos e só observei.