segunda-feira, 13 de outubro de 2014

PERSPECTIVAS

Quanto tempo a gente tem para perder?
Quando a gente se anuncia sem saída,
Quando a vida, estrada crua e perdida,
Recua, nua, e não aponta o que fazer?!

Quanto tempo a gente tem para crescer?
Quando a infância nos persegue incutida,
E a travessia, insistente, é dura lida,
É o tempo eterno de mudança no viver!

E contradigo, hoje mais do que fiz antes,
O tédio incerto que nos ronda, incessante,
Chutando-o longe em cada vã demonstração

De desapego ao que é dado como certo:
E na dúvida, eu me vejo um deserto
De espera, angústia, mas não de decepção!

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