terça-feira, 28 de outubro de 2014

O TREM DE PASSAGEM



O choro é passageiro, meu amor
E a condução deste infortúnio
Tem linha e parada marcada
Tem final para a sua estrada
Entenda
Vai passar
Este trem de angústia no ar
Vai amassar, sucatear
As coisas sem valor
E só as que realmente importam
Resistirão à viagem
Estas não são de passagem
Tem cadeiras cativas
São naturais, são nativas
Do coração da gente

E quanto tudo parar
E houver silêncio
Veremos que a estrada foi breve

Por isso, importa aproveitar a paisagem
E sua importante companhia!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

PERSPECTIVAS

Quanto tempo a gente tem para perder?
Quando a gente se anuncia sem saída,
Quando a vida, estrada crua e perdida,
Recua, nua, e não aponta o que fazer?!

Quanto tempo a gente tem para crescer?
Quando a infância nos persegue incutida,
E a travessia, insistente, é dura lida,
É o tempo eterno de mudança no viver!

E contradigo, hoje mais do que fiz antes,
O tédio incerto que nos ronda, incessante,
Chutando-o longe em cada vã demonstração

De desapego ao que é dado como certo:
E na dúvida, eu me vejo um deserto
De espera, angústia, mas não de decepção!