segunda-feira, 28 de abril de 2014

CONTADORES DE ESTÓRIAS


Contar estórias é fazer mundos. E fazer mundos, imitando Deus, é uma forma de se iludir perante nossa finitude. Pois cada estória, reinventada e distribuída... fincada na nossa língua, é uma passo além do bicho que tememos ser, o bicho do qual fugimos! Cada estória é uma História para nós, conosco e, doravante, para Ninguém - este monstro solitário que anda ao lado de todo poeta, de todo contador e de toda nossa cegueira saudosista; o monstro que consome tudo... e sempre! A estória é a marca humana que podemos imprimir, uma das poucas que pode durar mais que uma vida ou mais que a duração da frase! Que faz de nossas vidas uma só vida, contada, riscada na carne e passada de pai para filho, de filho para neto...! E mesmo a mais falaciosa, a mais infantil das fábulas, a mais mitológica das crenças carrega o peso da verdade desejada, da fantasia arquitetada, da defesa armada contra o tempo e suas correntes amaldiçoadas, contra o sem-sentido de nós, de fora de nós e do meio, que é essa estória!

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