segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

SONETO DE ATORDOAMENTO


Caiam, estrelas, sobre minha rede
Na noite calma que me atordoa!
Consuma a casa, fira-me e doa
A pele, a carne. Mate-me a sede
De guerra e grito, e de que a parede
Leve com a queda a paz que não mais soa 
Nas telhas minhas; que o vento moa
Temores tantos, que te peço: - Crede!

São bem maiores do que aparentam
Ao externo observador.
Não sou bom moço, eis um sofredor

Destes comuns que aí se aguentam:
Engolem choro e sublimam dor;
Com risos falsos engatam o furor.

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