domingo, 1 de setembro de 2013

ALUMIAÇÃO EM VILANCETE

Não me faço de rogado,
Pensando ser como o ar;
Não sou livre tanto cá.

De uns lados andarilho,
Preso no laço dos medos;
Liberto-me com os dedos,
Tecendo em versos o trilho;
Neles caibo e me ilho
Refugiado a sonhar,
Pensando ser como ar.

Contudo, a profundidade
Do sono que é viver,
É mais que o verbo escrever.
Pra falar bem a verdade,
Nada achei de potestade
Que me viesse a guiar;
Não sou livre tanto cá.

Fiz de mim o maior guia,
Mas me veio a frustração:
Se me guio na canção
O verso se estropia.
A canção é que alumia
Por si só o seu andar.
Não sou o dono a cantar.

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