segunda-feira, 30 de setembro de 2013

I CONCURSO LITERÁRIO DE COREAÚ

Estão abertas as inscrições para o I Concurso Literário de Coreaú, promovido pela Academia Palmense de Letras (APL). Serão premiados nesta edição os três primeiros colocados inscritos em cada uma das duas categorias - prosa e poesia -; os demais participantes receberão declaração de participação. 

O objetivo é premiar textos inéditos nas categorias PROSA e POESIA, valorizando e dando visibilidade, assim, à produção textual do município. Podem se inscrever candidatos residentes ou nascidos em Coreaú, que nutram algum vínculo familiar ou social reconhecido com o município.

Conheça o edital e se inscreva na aba I Concurso Literário de Coreaú, do blogue da APL.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

DIÁLOGO SOLITÁRIO DE AUTO-CONSOLAÇÃO

- Não chores. Não te lastimes!

- Por quê? Por que insistes em me consolar?

- Ora, pois esta dor que te invade deve ser amordaçada.

- E quem garante que mordaças a impedem de gritar?!

- Penso que sim. É o que se faz ou se tenta: barrar.

- Barre os teus! Beleza em palavras talvez não seja suficiente para conter minha irrupção repentina de revolta ante as regras da vida.

- E que vida queres que não seja em palavras?

ENGASGADO

Engasgado. Um copo d’água não bastaria para fazer descer o incontido desejo de surrar a parede. A mão é que não resistira dar conta. Adolfo pensava em Edilberto, em Ana, em Raquel e em Erismar. Eles nem se lembravam dele. Ele, a ruminar a dor e frustração, comuns toda vez que nutrisse expectativas. Adolfo, pequeno, não queria odiar. O ódio fazia-lhe lembrar, e tornava próximo, quem mais queria distante. Via espelhado no ódio aos outros o ódio a si mesmo; um tanto estanque, foi seu sentimento ao desviar de atenção e seguir se culpando por seguir amando quem tanto odiava. Conflitos.
Passou rápido, heim?!
Ainda acreditastes no tempo?

domingo, 22 de setembro de 2013

ILUSTRADO SOFRIMENTO

Folha ilustrada
Que fora rasgada
E soltou-se ao vento
O intento de quem a rasgou
E ao nada então jogou:
Eternizar o sofrimento
Não se sabe dos desenhos
Do seu conteúdo ou forma
Contudo, dor que amorna
A vida, esfriou-se com o ar
Que a levou.

FALADA

E fales que fales
Quão tanto me negues
E entregues males.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

CONTA A LENDA DE ALÉM

a pobreza
extrema
emagrece mais que as carnes

a tibieza
suprema
não se vê clara nas faces

a falsidade
não se expressa
em palavras

até por quê
as palavras
são tão poucas
e as pessoas
tão roucas
de sentir
e em seu agir
são guiadas
por palavras
indecifráveis
palavras
malvadas
inefáveis
palavras
paladares
que degustam
o vazio
por detrás
da alma
e a bagunça
por detrás
da calma
não sou tão turbulento
só me alimento
da fome que me abala
e me embala
em aventuras
que não escrevo
nem leio
nem sabem
além-túmulo

domingo, 1 de setembro de 2013

ALUMIAÇÃO EM VILANCETE

Não me faço de rogado,
Pensando ser como o ar;
Não sou livre tanto cá.

De uns lados andarilho,
Preso no laço dos medos;
Liberto-me com os dedos,
Tecendo em versos o trilho;
Neles caibo e me ilho
Refugiado a sonhar,
Pensando ser como ar.

Contudo, a profundidade
Do sono que é viver,
É mais que o verbo escrever.
Pra falar bem a verdade,
Nada achei de potestade
Que me viesse a guiar;
Não sou livre tanto cá.

Fiz de mim o maior guia,
Mas me veio a frustração:
Se me guio na canção
O verso se estropia.
A canção é que alumia
Por si só o seu andar.
Não sou o dono a cantar.

CINCO PRIMEIROS HAICAIS

i.
Acorda-se o sol.
Faz-se uma nova manhã.
Eu leio o lençol.


ii.
Nada com nada
Do que tanto discursara
Vale mais que estrada.


iii.
Não faço canção.
Não componho melodias.
Risco o coração.


iv.
Métrica e sentido
Voz, vida e pulsação
Esse é meu rugido.


v.
Choros incontidos
A corda tênue rompeu-se
Risos divididos.