segunda-feira, 26 de agosto de 2013

TERRA DAS POESIAS PERDIDAS

Há um lugar secreto,
Recôndito e indiscriminado,
Para onde vão todas as poesias
Feitas e perdidas.

Lá estão misturadas,
Dispostas ao longo de suas grandes colinas
As poesias melosas repletas de rimas com “ão”
Paixão, coração, e tantas outras.

Dispostas ao redor do seu firmamento,
As poesias de sonho e de lamento,
Repletas do pessimismo humano,
Mas também aquelas que extrapolam,
E como extrapolam!
A imaginação para inventar loucuras
De mundos possíveis em razão
E de mundos possíveis em ação!

Também nesse mundo, há poesias infantis
Os tracejados tremidos dos primeiros poetas
Ou dos poetas principiantes,
Quando inda afinavam as pontas dos lápis,
Há as poesias cheias de métrica e de zelo,
Há as poesias desleixadas, feitas de qualquer jeito
E sem qualquer perícia,
Há as poesias nobres,
Há vidas em poesias,
Há pessoas naquelas letras
E pessoas naquela terra em suas poesias.

Essa terra perdida que não existe para além desse poema
É uma terra de saudosos,
De saudade e de perda,
Quantos poemas não vimos?
Que, embora existindo, não estão nessa terra?
Quantos poetas não conhecemos?
Quantos gênios estão por detrás de suas colinas?
Quantos perderam a poesia por julgá-la loucura ou coisa banal?
Não sei, só nesse poema.
Um poema que fala de uma terra que não existe,
Mas que bem poderia existir para guardar tantas gentes,
Em tantos poemas
E tantos sentimentos,
Em tantas letras
E tanto momentos,
Em vão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário