quarta-feira, 3 de abril de 2013

PELEJA DAS ANTIGAS

Neste fim de semana, visitei meu parente, Manuel Satiro, de 88 anos, mas ainda fortão, apenas com alguns tremeliques nas mãos, até orgulhoso por sofrer do mesmo mal que o papa João Paulo II. O homem talvez seja o pouco que resta vivo a contar fatos do passado; sabe toda a genealogia e causos dos Felix antigos.

Manuel me relatou que, em 1930, Simão Felix da Cunha, já com 70 anos, ainda não tinha se aposentado de festas e bebedeiras. Todo ano lá na chapada na casa do Pilé no Lamarão, havia uma festança sempre muita animada, que reunia todos daquele pé de serra. Simão Felix e Antônio Primo, seu sobrinho, apesar de terem uma rixa por terras sempre andavam juntos; não podiam ouvir um batuque que estavam dentro. Depois de já bastante melados, Antônio Primo lembrou-se da encrenca e passou a descompor e cutucar Simão com uma faca; mesmo admoestado, judiou bastante do velho tio. Simão, sentado numa cadeira e já não aguentando tanta humilhação, por baixo da perna desferiu um tiro de revolver em Primo. Este, depois de 18 dias sem buscar cuidados médicos, veio a falecer.

Alguns anos depois, num dia de finados, Simão em visita ao cemitério de Coreaú, topou com o tumulo de Antônio Primo, e ai com a coronha do revolver dando umas batidinhas para chamar atenção de quem estava sepultado, falou:

- Tá ai porque era atrevidinho. Se não fosse atrevidinho, tava aqui ainda.

João Alberto Teles, via Facebook

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