sábado, 27 de abril de 2013

DISTÂNCIA ZERO

Cada vez que ouço um político brasileiro nas tribunas falando em “ESTADO DE DIREITO”, vejo quão grande é a distância entre fala e ação. Recentemente escutei um pronunciamento do “dono do maior curral político maranhense”: Ele dizia que se fosse começar a vida novamente não ingressaria na política. O maranhense falava ainda que a política era a “arte de servir e não de se servir dela”. Essa (fala), nobres blogueiros, é uma prova cabal do distanciamento das ações e da fala dos nossos políticos. É fácil falar... Difícil demais é fazer!

No Brasil está existindo uma nova modalidade de MMA. Os dois poderes - Legislativo e Judiciário - estão se enfrentando no “Octogno”. Um querendo se impor ao outro. Sabemos que é um jogo movido tão somente pela vaidade. O Judiciário atrás de punir os mensaleiros; já o Legislativo diz que essa atribuição é do Executivo (Polícia Judiciária). Esse poder (Executivo) por sua vez é comprometido política e acoberta as ilicitudes.

O País enfrenta uma onda de violência urbana. A mídia brasileira quer pôr a culpa nos adolescentes e diz que o Estatuto da Criança e do Adolescente é quem está fomentando esta guerra por sua característica de “pena branda”. Esta lei traz sentimento de impunidade aos infratores. O ECA completou vinte anos que foi promulgado e até hoje o que preconiza o Estatuto ainda não foi implantado em sua totalidade. Aqui também, temos uma amostra do distanciamento da fala e da ação. Os poderes Executivos e Judiciários não exercem o que está previsto na Lei. Se os adolescentes tivessem políticas públicas voltadas para a educação e lazer de qualidade, quem sabe não teríamos tantos jovens envolvidos na criminalidade. Os que cometerem Ato Infracional Leve não deveriam ser encaminhados para os Centros de Medidas Sócioeducativas e as Medidas em Liberdade (Assistida ou em meio aberto) deveriam ser acompanhadas pela família, pela Promotoria e pelo Conselho Tutelar. Que a medida de Prestação de Serviço à Comunidade (PSC) seja mais amplamente utilizada pelo Poder Judiciário.

O poder da fala é um grande risco em certas pessoas. Temos exemplos na história, de homens que causaram grandes genocídios à humanidade por causa das suas ideologias. Dentro dos cultos religiosos muitas pessoas são enganadas em nome da salvação. Nas tribunas judiciárias e legislativas as palavras soam com a força de um trovão. Mas trovão sem relâmpago, somente barulho. Seria de bom tamanho que as pessoas tivessem mais “ação” do que “palavras bonitas e enganatórias”. Findo esta minha participação dizendo que não é fácil, no mundo de hoje, a ação preceder a fala. Por isso vivemos em uma sociedade discriminatória e injusta. E muitas vezes a vontade do TER supera a do SER. Mas, continuo esperançoso e acredito que para termos uma sociedade mais justa é necessário que a distância da palavra e da ação seja ZERO.

Carlos Teles

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