terça-feira, 30 de abril de 2013

MAIS QUE A LÍNGUA

Em noites de maio,
Ao som da chuva,
Peguei a caneta
Tentando escrever.
Poeta perneta,
Perdi-me...

Entretive-me,
Por instantes...
Saboreei.

Detive-me,
No entanto,
Com a goteira
Que borrou
Todo o papel,
Véu de jade
Da brincadeira.

Nem dei meu empenho,
Como tanto noutras deixas...
Tive medo de perdê-la,
Total e definitivamente,
A poesia alheia.

ZOMBETEIRO

Relaxa!
Larga essa dor
Que empacha
O andar do andor;
Vai com calma...
Não cava ferida
Na alma,
Com medo de cumprir,
E repetir
O que disseram de você.
Vai fazer o que?
Fugir atrás duma moita?
Se nem moita mais há...
A não ser que seja pra...
Não temas!
De momentos,
De angústias,
Vacilo e idiossincrasias:
Tecerá retalhos...
Retalhado em si
Até, até, até,...
Até desentalar
O grito destemido
Autêntico
Escondido
De menino voador!
Que zomba da dor...

segunda-feira, 29 de abril de 2013

SER RACIONAL?

Volto a esta tribuna para mostrar o meu repúdio como também questionar  a racionalidade dos seres humanos. Li uma reportagem na globo.com que falava da decapitação de uma mulher. O ato foi filmado e postado nas redes sociais. Procurai me aprofundar na informação e busquei o vídeo que mostrava o assassinato. Não foi engano! A informação era verdadeira. A mulher foi decapitada a sangre frio como se fosse um animal sendo preparado para ir à mesa e ser servido...  O agravante foi que o carrasco ainda exibiu o seu troféu (cabeça da mulher) pendurado em uma das suas mãos em plena rede social.

Esses tipos de vídeos deveriam ser proibidos de serem publicados. Eles incitam   “outros doentes” a fazerem o mesmo. As redes sociais deveriam ser utilizadas como veículo de propagação do bem e a serviço da população. A zoofilia é outro mau exemplo na internet. Ela se tornou “meio de sobrevivência” para algumas mulheres pelo cachê dos “filmes”. As cenas exibidas mostram como se pode  vulgarizar totalmente o corpo de uma mulher.

Profetizo que não vai demorar muito para assistirmos pelos “canais fechados de televisão” lutas mortais tal qual existia nas arenas dos Templos Romanos. Pelo que se vê hoje falta muito pouco para chegar este dia.

A vida humana esta banalizada. Estão matando pessoas como se abatem animais pra alimentação. No Reino Animal “irracional” existe mais racionalidade que no “racional”. Os animais irracionais só matam para saciar a sua fome ou para se defenderem... Já os seres humanos estão matando pelo simples prazer de matar. A pergunta é: quem é o racional da história?

Carlos Teles

ELOGIO-ME

O elogio que te dou,
Loucura estranha,
Não cabe em palavras;
É duro e cru,
Como a realidade que vês
E sofres tão nítida.

O elogio que te dou,
Dor nas entranhas,
De fato, temo expressar,
E não resistir
À barbaridade humana,
Singular e obscura.

O elogio que te dou,
Irmã onipresente,
Receia e foge
De si mesmo e outrem,
Nega-se e renega-se
A todo e ninguém.

É a contradição,
Dor e gozo,
Em veia...

RENEGO-A

Pus-me, descontente,
A revisá-la:
Ação contaminada,
Do tempo pretérito.
Carrego-a, cá comido,
No carcomido
Cemitério...
E o pior,
Digo-o já:
Talvez nunca
Ela venha a me largar.
Em alguma cela jaz,
Vívida,
Regurgitada,
Não a quero, mas...
Eu a sou,
Infelizmente...
Tão somente...
Soou: sou-a
Inúmeras vezes
Em meus medos.

domingo, 28 de abril de 2013

LOUVAÇÃO

De encanto de louvor
Carregarei minha oração.
Tocar-me-ei a testa,
Em gesto de unção.

Erguerei os braços,
Meu corpo curvarei,
Ao bem, amor universal,
O quis e me entreguei...

A lua e o céu estrelado
São minhas testemunhas.
Novo acordo firmado,
À irmã terra das unhas,
À irmã simplicidade,
E ao irmão próximo,
Onde esteja, vagueja,
Missão: amar, lutar.

sábado, 27 de abril de 2013

MANDALA


Irradiação de notas magistrais,
Em tons os quais nunca vi,
Espalham-se pelos ares e não vejo;
Só um sobejo foi me dado sentir.

E onde está?
De onde vem?
Ando com quem?
O que tens, ó terra?
É de vera meu porvir?

Quais meus passos,
Derredor,
Saberei?
Tenha dó,
Dó e diga!
Ó vazio!
Ó o nada!
O que jaz de mim?
Se pouco,
Ou quase...
Sei...

Mas enquanto
Ouço a música
E me espanto
Louvo, ignaro,
O existir!

DISTÂNCIA ZERO

Cada vez que ouço um político brasileiro nas tribunas falando em “ESTADO DE DIREITO”, vejo quão grande é a distância entre fala e ação. Recentemente escutei um pronunciamento do “dono do maior curral político maranhense”: Ele dizia que se fosse começar a vida novamente não ingressaria na política. O maranhense falava ainda que a política era a “arte de servir e não de se servir dela”. Essa (fala), nobres blogueiros, é uma prova cabal do distanciamento das ações e da fala dos nossos políticos. É fácil falar... Difícil demais é fazer!

No Brasil está existindo uma nova modalidade de MMA. Os dois poderes - Legislativo e Judiciário - estão se enfrentando no “Octogno”. Um querendo se impor ao outro. Sabemos que é um jogo movido tão somente pela vaidade. O Judiciário atrás de punir os mensaleiros; já o Legislativo diz que essa atribuição é do Executivo (Polícia Judiciária). Esse poder (Executivo) por sua vez é comprometido política e acoberta as ilicitudes.

O País enfrenta uma onda de violência urbana. A mídia brasileira quer pôr a culpa nos adolescentes e diz que o Estatuto da Criança e do Adolescente é quem está fomentando esta guerra por sua característica de “pena branda”. Esta lei traz sentimento de impunidade aos infratores. O ECA completou vinte anos que foi promulgado e até hoje o que preconiza o Estatuto ainda não foi implantado em sua totalidade. Aqui também, temos uma amostra do distanciamento da fala e da ação. Os poderes Executivos e Judiciários não exercem o que está previsto na Lei. Se os adolescentes tivessem políticas públicas voltadas para a educação e lazer de qualidade, quem sabe não teríamos tantos jovens envolvidos na criminalidade. Os que cometerem Ato Infracional Leve não deveriam ser encaminhados para os Centros de Medidas Sócioeducativas e as Medidas em Liberdade (Assistida ou em meio aberto) deveriam ser acompanhadas pela família, pela Promotoria e pelo Conselho Tutelar. Que a medida de Prestação de Serviço à Comunidade (PSC) seja mais amplamente utilizada pelo Poder Judiciário.

O poder da fala é um grande risco em certas pessoas. Temos exemplos na história, de homens que causaram grandes genocídios à humanidade por causa das suas ideologias. Dentro dos cultos religiosos muitas pessoas são enganadas em nome da salvação. Nas tribunas judiciárias e legislativas as palavras soam com a força de um trovão. Mas trovão sem relâmpago, somente barulho. Seria de bom tamanho que as pessoas tivessem mais “ação” do que “palavras bonitas e enganatórias”. Findo esta minha participação dizendo que não é fácil, no mundo de hoje, a ação preceder a fala. Por isso vivemos em uma sociedade discriminatória e injusta. E muitas vezes a vontade do TER supera a do SER. Mas, continuo esperançoso e acredito que para termos uma sociedade mais justa é necessário que a distância da palavra e da ação seja ZERO.

Carlos Teles

ANJO CAÍDO

Que queda, Rafael?!
Tuas asas não se quebraram?!
Ainda algum ar te resta?!
Olha o arranhão na tua testa!
E me diz:
Por quê?
Logo você, Rafael!

Estive pasmo, homem...
Mais pasmo não consigo...
Como tu podes ser tão nocivo,
Mesquinho, pequeno,...
Até que cai.

(pintura de Hugo Simberg, Anjo Ferido)

CORAÇÃO PETRIFICADO

A que fim levaram meus sentimentos?
Por que hoje já não consigo sentir o amor?
Acho que este coração jamais voltará a amar
Este mesmo coração que um dia já sentira paixão até rastejar de tanta dor.

Será que me tornei um homem de gelo?
Será que me tornei algo sem vida?
Essas são perguntas que não consigo responder
Pois dentro de mim já não há mais esperanças
E sei que nunca mais partilharei o amor!

Será o sofrimento a causa desta ausência?
Inúmeras decepções tornaram-me mais frio?
A única certeza que tenho hoje
É que sou um ser incapaz de amar!

Meu coração não sofre mais
Pois não há mais nada dentro dele
Será que sou um homem de sorte?
Porque a única função do meu coração é manter-me vivo!

Amor!, amor!
Amor?, amor?
Está palavra já não significa nada para mim
E no fundo desejo que jamais ela volte a significar

Kelvis Albuquerque

segunda-feira, 22 de abril de 2013

NA LINHA


Passou tão rápido...
Nem vi.
Pensei que iria durar.
Aliás,
Nem pensei,
Sei lá.

E esse rumo:
Cheguei aqui;
Aonde vou chegar?

Passou tão rápido...
É isso que tenho ouvido,
Dos que estão no:
Começo
Meio
Fim
...do caminhar.

Se me atormento,
Perco o sentido,
Falta o ar.

Passou tão rápido...
Por que correr?

Eu que decido,
Em meu tempo,
O que fazer?
E o sentido,
Espero,
Que ele dê,
Sim, a mim,
Uma fonte,
De um quê,
Bem sutil,
Uma linha
Na qual
Me equilibre,
Até o novelo faltar.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

LIRA DOS 20 ANOS


Militando resoluto o menino se fez homem;
Numa trilha camarada de poesias e ideais;
Eclodido dum casulo inquieto por natureza;
Pinta sob cores rubras as andanças sociais.

U'a força da natureza sob aparência singela:
Pássaro nascido na poeira humilde do chão.
Ecoa jovem canto, sobrenadando a procela,
Estalo de voz telúrica da essência da criação.

O passo que se adianta nas veredas sinuosas;
Envolto de sentimento de filho já por nascer.
Tão cedo hasteando mil bandeiras virtuosas.
Uma joia rara precoce de ternura e de saber.

Lutando pelo mundo, qual cavaleiro errante;
Pelas flores renegadas da humana expedição.
Arrostando o mistério, à espera dum levante;
Em 20 anos repletos de coragem e inspiração.

Eliton Meneses

Ao amigo/camarada Benedito Gomes Rodrigues, pelos seus 20 anos.

Deste blogue: 
Minha mais profunda gratidão já tem sido demonstrada, mas o tempo, ele me permitirá retribuir todo o apoio e afeto amigo.

terça-feira, 16 de abril de 2013

ESGUEIRAR

Como um suspiro,
Tão de leve,
Envolvente,
Daqueles que chamam
A gente
E qualquer um
Que tente
Olhar a menina,
Não qualquer,
A que desperta
O sentimento
De ternura
E que requer
Toda ousadia
Em se envolver...
Foi semelhante
Meu deslumbre
Ao ver da vida
Tal lampejo:
Bem-me-quer,
Sentado à pedra,
Abismo abaixo,
Curvei-me,
Compenetrado,
A espiar:
O mar,
Mar de não-eu,
E eu,
Pequeno,
Louvava
Poder saber;
Um destino,
A se fazer.

Meus pés se balançavam, feito aqueles de pixotinhos em cadeira alta esperando o pai chegar...

PRA FAZER A DIFERENÇA

Nesse final de semana, iniciaremos nossos trabalhos permaculturais (em mutirão) também no distrito Araquém, através de nossa primeira oficina gratuita: Permacultura - ecologia na prática.

Onde? - a gente começa na sede da AEDI/Araquém.
Como participar? - chegue na hora e se inscreva no local.
Pré-requisitos? - vontade de fazer a diferença desde sua casa e disposição para sujar as mãos no mutirão prático.
O que é permacultura? - é um conjunto de conhecimentos e práticas ecológicas desenvolvidas com a finalidade de gerar sistemas humanos sustentáveis, isto é, comunidades, casas, cômodos ecológicos...

Contamos com você!


sábado, 13 de abril de 2013

O "TAM, TAM, TAM" DA VITÓRIA

“Tam, tam, tam. Tam, tam, tam...” Esta música se eternizou como som da vitória ao passar a representar as inesquecíveis vitórias do Eterno Ayrton Senna. Aos domingos o povo brasileiro sentava em suas poltronas para assistir às suas vitórias. Sua morte deixou-nos uma grande lacuna. Não somente por suas vitórias nas pistas de corridas. Mas, acima de tudo, pelo o exemplo da pessoa que ele era. Tanto é prova de “sua grandeza” que somente após sua morte é que foram revelados, ao mundo, seus feitos em prol dos mais necessitados – Um grandioso, e silencioso, trabalho social. A orfandade brasileira deve ter em exemplos como este a referencia “de ser cidadão” a ser seguida por todos, e principalmente, por nossos jovens, que são o futuro do País.

Hoje não existe um brasileiro com notoriedade suficiente que nos faça dá-lo a alcunha de “O CARA”. Se existe, sinceramente não é do meu conhecimento... Os “notórios” que conheço, são políticos. Os quais costumeiramente eu chamo de “lambedores de rapaduras”.

O Brasil enfrenta hoje uma guerra urbana. E no fronte desta batalha os jovens brasileiros estão entrincheirados munidos de drogas, armas, violência demasiada e coisas mais... O que fazer? Para alguns dos ditos-cujos “lambedores de rapaduras” a solução se dará com a diminuição da maioridade penal dos nossos jovens. Ou com uma maior e efetiva pena a esses jovens, quase adultos. No entanto, se a mudança não se der de forma consistente, veja o absurdo que ocorrerá: Se os nossos presídios existentes – e insuficientes, e considerados “depósitos de seres humanos” não conseguem, comprovadamente, recuperar os “adultos”, terão “esses mesmos presídios” a capacidade de fazê-lo?

A saída para reverter este caos social juvenil é implantar políticas públicas que venham a ser “a luz no fim do túnel” de que tanto precisamos que exista! Uma dessas políticas seria a política de investimento na educação, esporte e lazer destes jovens. Ocupar a suas mentes. Acredito que, atrás da bola (do esporte) não haverá a bolinha (do crack). Hoje as lápides dos cemitérios estão cheias de nomes de jovens que se foram cedo demais. E em muitos lares reinam o som das lágrimas derramadas por suas mães. É hora de ouvirmos, de novo, nos lares brasileiros, a predominância do, simples, mas feliz, som tema da vitória de um simples “da Silva” que a todos alegrou e ainda alegra... Que seu ouça mais e mais a música: Tam, tam, tam. Tam, tam, tam...

Carlos Teles

segunda-feira, 8 de abril de 2013

PROMOÇÃO DO LIVRO "VEREDAS SINUOSAS - POESIA E PROSA"

Você que deseja ter seu exemplar do livro Veredas Sinuosas - poesia e prosa, de autoria de Eliton Meneses e co-autoria minha, pode concorrer através do blogue do companheiro Hélio Costa, o Araquém News. Conheça e participe da promoção acessando aqui. Nossa profunda gratidão!

FIANDEIRO

À janela,
A brisa do luar te espreita.
Sinta-a acariciar...
Veja a luz a se estirar
Sobre teu leito.

Se for curioso,
Abandonarás a zona de conforto,
Calçará o chinelo frio,
E verás absorto
O completo desafio...

O destino lhe dá...
A agulha pra elaborar
Fio a fio,
O tecido de tuas esperanças.

E não terás bonança
Definitiva, jamais,...
Enquanto a brisa da missão
Não esfriar...

Então,
Restará de ti
Ao leito e ao sono
Retornar.

(pintura de Van Gogh, A Fiandeira)

NOITE DE LEMBRANÇAS

No apogeu de minha insônia
Nesta noite solitária que me faz tremer de frio
Relembro seu sorrido, cativante e gracioso
Que me deixou tanta saudade
Hoje, sinto-me vazio.

Sinto-me enfraquecido ao ouvir sua voz tão suave
Que entra por meus ouvidos até penetrar em minh’alma
Todas as noites sonho, com sua linda face
Sua ausência parece corroer meu coração
Essas lágrimas em meus olhos, só refletem o meu desespero.

Olho pela janela e percebo
O dia já amanhece e com ele minha solidão continua
Grito desesperadamente para que alguém me resgate
Porém, neste abismo encontro-me sem opções
Só resta-me a vida, pois mesmo fracamente meu coração ainda bate.

Mais uma poesia do coreauense Kelvis Albuquerque em nosso blogue.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

À PENANDUBA

Verve preparada e ansiedade à flor da pele. Finalmente, depois de tantos preparativos, realizar um desejo antigo de dormir em contato com a mãe natureza, junto de colegas e amigos. Penanduba amanhã, 1ª expedição pra desbravar aos nossos olhos essa terra, que passa desapercebida aos olhos de muitos.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

2ª CARTA AO FILHO

Caro filho,

Esta é a segunda carta que escrevo pra você... Não a faço apenas por fazer, mas por me sentir impelido a isso; é como extravasar algo que estivesse entalado, um sentimento já alimentado mesmo antes de sua vinda ao nosso mundo. Imagino um dia você a lendo, sua impressão, se isso realmente seria relevante: saber que mesmo antes de existir nessa condição que você ora tem, já havia alguém que lhe amava muito, eu e sua mãe, afora seus avós, tios e bisavós, que já se animaram bastante com a possibilidade de mais uma benção em suas vidas.

Saiba que mesmo sem ter sido planejado você mobilizou tantos sentimentos bons em pessoas que talvez você nem chegue a conhecer direito, amigos e colegas meus e de sua mãe, companheiros nessa passagem que partilharam conosco a alegria de saber de sua vinda.

Já lhe adianto que sou honrado por ser seu pai e saber das imensas possibilidades que temos de juntos fazermos tanto por essa terra tão vazia de esperança. Somos todos mensageiros; com todos nossos erros e imperfeições, ainda assim o somos.

E só a mensagem de seu nascimento já é, sem sombra de dúvida, uma grande esperança, e das mais aprazíveis. Sei que mesmo nos momentos de choros e nas possíveis vindouras discussões e/ou desentendimentos essa esperança não se apagará, assim como o que sentimos por você.

Já não aguento mais a ansiedade de lhe esperar. Venho aprendendo demais, e quero lhe pegar em meus braços, vê-lo aprendendo a andar, a falar, a sorrir, a sonhar.

Amo-te, como um pai e um irmão de missão, e quero mais te amar nessa vida.

De seu reles pai.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

DA SÉRIE: AMOR... "ETERNO" AMOR...

O jovem casal adolescente estava em uma noite de lua cheia sentado em banco de praça de bucólica cidade interiorana...

Com a cabeça apoiada no ombro do jovem, a apaixonada moça suspira e indaga do amado:

- Oh meu amor... O que é aquilo no céu, redondo, de cor alaranjada e que nos banha com este intenso brilho?

-Amor meu... amor de minha vida... respondeu o apaixonado jovem... Aquilo no céu, redondo, de cor alaranjada e que nos banha com este intenso brilho é Luna, que os comuns a conhecem como lua. É o único satélite natural da Terra, situando-se a uma distância de cerca de 384.405 km do nosso planeta.

A jovem suspira fundo, olha nos olhos do amado e exclama:

-Nossa!!! Que linda definição... Como você é inteligente!!!

Vinte anos depois, voltam à mesma praça, já com filhos crescidos e muita coisa mudada... Até os bancos já não eram os mesmos... Mas lá estava... a mesma lua como naquela noite do passado...

A cena se repete... Agora mulher e já sem os brilhos de outrora, carente de um momento romântico, ela novamente deita a cabeça no ombro do marido e novamente pergunta:

-Oh meu amor... O que é aquilo no céu, redondo, de cor alaranjada e que nos banha com este intenso brilho?

-Ele, um tanto inquieto e mais grosso do que papel de enrolar prego, responde rispidamente:

-Mas tu é burra mesmo!!! Faz vinte anos que te respondi e já esquecestes... Aquilo é a lua sua burra...

Tenho dito... E sempre!!!

Manuel de Jesus

PELEJA DAS ANTIGAS

Neste fim de semana, visitei meu parente, Manuel Satiro, de 88 anos, mas ainda fortão, apenas com alguns tremeliques nas mãos, até orgulhoso por sofrer do mesmo mal que o papa João Paulo II. O homem talvez seja o pouco que resta vivo a contar fatos do passado; sabe toda a genealogia e causos dos Felix antigos.

Manuel me relatou que, em 1930, Simão Felix da Cunha, já com 70 anos, ainda não tinha se aposentado de festas e bebedeiras. Todo ano lá na chapada na casa do Pilé no Lamarão, havia uma festança sempre muita animada, que reunia todos daquele pé de serra. Simão Felix e Antônio Primo, seu sobrinho, apesar de terem uma rixa por terras sempre andavam juntos; não podiam ouvir um batuque que estavam dentro. Depois de já bastante melados, Antônio Primo lembrou-se da encrenca e passou a descompor e cutucar Simão com uma faca; mesmo admoestado, judiou bastante do velho tio. Simão, sentado numa cadeira e já não aguentando tanta humilhação, por baixo da perna desferiu um tiro de revolver em Primo. Este, depois de 18 dias sem buscar cuidados médicos, veio a falecer.

Alguns anos depois, num dia de finados, Simão em visita ao cemitério de Coreaú, topou com o tumulo de Antônio Primo, e ai com a coronha do revolver dando umas batidinhas para chamar atenção de quem estava sepultado, falou:

- Tá ai porque era atrevidinho. Se não fosse atrevidinho, tava aqui ainda.

João Alberto Teles, via Facebook

SINGELA EXPRESSÃO

Fosse hoje
outro dia,
escreveria.
Fosse hoje
outro dia:
poesia!

Rosália Castro
26.02.13

terça-feira, 2 de abril de 2013

O QUE TENHO PRA TE DAR

Não tenho uma rosa para te dar.
Os jardins têm sido poucos...
Contudo, ouso traçar,
Por mim mesmo,
Uns versos soltos,
Sinceros, garanto.

Veja,
Cá nesta vida
Tudo é graça.
Cá estamos jogados,
Desavisados,
A nos fazer,
Dia a dia,
Sem ao certo ter
Onde nos apoiar,
Senão no irmão,
E no amor fraterno;
Ou não...

Meus versos são pobres.
Mas que versos serão ricos?
Só rico o ritmo da canção...
A batida que embala a vida,
Insondável, no mais perto...
Creio, o mais certo
Nem tento expressar...

E a teia que nos prende,
E solta continuamente,
Essa vida, tão mistério,
Une-nos, separa,
Em tom ébrio,
Fez-lhe ver:
Semelhante
Uma âncora,
E aquilo que fizermos,
Que seja pra aprender.

A emoção?
Dois universos,
Deus em nós,
No inter-ser.