segunda-feira, 18 de março de 2013

BANHO DE CHUVA

O trovão amedronta, mas anuncia.
O escurecer é estranho, logo de dia.
Prefacia-se nova anunciação.
O moleque se estica na meia-porta;
O outro já sobe na janela;
Mãos nas fontes,
Todos à espera...
Há de chegar: chuva farta.

Zoada nas telhas, gostosa frieza.
Logo engrossa, escorre pelas biqueiras.
A animação se segue.
É menino de um lado pro outro...
De bicicleta, a pé, de qualquer jeito...
Até velho não se segura e vai correr.
Grito, mangação, empurrão,
Sobretudo, muita lama...
Pra sujeira, ninguém liga.
O que importa é a vida.

Fios mágicos,
Presentes,
Animo no sangue,
De nossa gente.
Que ressuscita
Ao saber da morte
Da Seca.

E de braços abertos,
Só resta agradecer.
Fica a sensação
De ter vivido aquilo antes,
Doutra forma,
Noutro ser;
Sente-se Deus.

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