quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DEBATENDO CULTURA COREAUENSE NAS REDES SOCIAIS

Uma ideia simples, mas que rendeu. Falo do debate online ocorrido ontem (27.02.2013) no Facebook, acerca da cultura de Coreaú, visando colocar em pauta numa rede social, por vezes tão oca, algo significante, que pudesse enriquecer reflexões acerca da identidade cultural de nossa gente e suas carências. E foi proveitoso! Passeamos de assuntos sérios, relacionados às possíveis e necessárias políticas públicas de cultura, tão escassas e apalermadas por aqui, aos aspectos mais sutis, saudosos e engraçados da cultura da terrinha, desde as comidas típicas aos apelidos, tipos populares, com um tom descontraído que foi chamando progressivamente mais gente pra roda.

Dentre as pautas de políticas e ações da sociedade, passamos por alguns pontos, dentre os quais destaco:
  • A descoberta e valorização dos talentos da terra, dos artistas e artesãos, gente simples por aí, no ostracismo e falta de apoio;
  • Preservação de nosso patrimônio-arquitetônico;
  • Incentivo à criação de espaços culturais, onde possam estar expostas peças de nossa história e cultura, além de servirem como espaço para formação e entretenimento dos cidadãos;
  • Incentivo à produção audiovisual como curtas e fotografia (há muita gente de talento por aí);
  • Apoio à formação e manutenção de grupos culturais, como de hip hop, dança de rua, etc.; 
  • Exibição de filmes, esquetes, música, ao ar-livre nas comunidades, visando fortalecer os laços comunitários e levar a cultura às periferias tão desprivilegiadas nesse aspecto; 
  • Leis que reconheçam nossos patrimônios culturais. 
E no que toca ao saudosismo e o reconhecimento às figuras de nossa terra:
  • Quem já comeu arabu, bolo manzape, mingau de pupa, canapu, guariraba...? 
  • Quem conhece ou conheceu os professores Raimundo Parente, Benorista, Teresinha Fernandes...? 
  • E os mestres da cultura popular, Vicente Chico, Cachica, dentre outros? 
  • E as brincaderias, da bila ao “ramim” que o senhor mandou, ou as descidas de pneu no rio Coreaú?
  • Os tipos populares (loucos, valentões, os gaiatos...), os grandes profissionais que ficaram guardados pelo seu bom serviço prestado, dentre tantos que deram forma à identidade de coreauense?
Relembrar é viver, é questionar, é construir. E é sabendo como chegamos ao estado como estamos hoje e o que temos, culturalmente falando, que podemos pensar o que fazer para construir um futuro mais digno pra nossa gente! Até o próximo debate, que promete render muito mais!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

A CONSCIÊNCIA QUE TANTO PRECISAMOS

Uma contribuição, em forma de entrevista, com o filósofo, teólogo e escritor Leonardo Boff, um dos principais fundamentadores da Teologia da Libertação, sobre a Ecologia Social enquanto máxima ética nos desafios da contemporaneidade.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

TAXA DO LIXO?

Bem pontuou Hélio Costa (aqui) o poder do boato e da profecia auto-realizável, visando relacionar com a estória da taxa do lixo que supostamente a Prefeitura irá implantar em Coreaú. Há, inegavelmente, muitas críticas e boatos mal intencionados por aí e nem sempre é fácil distinguir... Alguns, entretanto, já se concretizaram e não decorrem do efeito da tal profecia: crédito para Esquina da Fofoca Express (para usar a expressão de Manepa).

Indo ao que interessa, é pouco provável, segundo meu pobre ponto de vista, que tal ocorra, uma vez que quem se elege (geralmente) quer se reeleger, e nossa gente, que mal dá conta da luz, água (que dobra pra quem tem esgoto) não iria encarar bem a novidade.

O fato é, e já tratei disso noutros textos, que a nossa gente está entranhada numa cultura do “jogar no mato”, e há de se saber que mudanças no âmbito cultural exigem perspicácia e insistência: será que a Gestão topa? Se for pra seguir o exemplo de Sobral, estaremos em maus lençóis, porque lá a coisa mais rara é uma lixeira; tudo se joga no chão, até mesmo por falta de onde se depositar. Se não for verdade me corrija, que já moro lá há dois anos.

Além da coleta GRATUITA E EFICIENTE, precisa-se reeducar a população, em parceria com a sociedade civil, escolas etc. Falou-se do apoio à criação de cooperativa de reciclagem, o que ajudaria muito pai de família e implicaria em menos lixo contaminando o Meio Ambiente. Ótima ideia! Tem dado certo em lugar! Basta agora trabalhá-la pra se concretizar. Aí sim tem cheiro de mudança! Fica a dica e a disposição pra ajudar.

LIVRAI-ME, TERNURA!

Se bem que dizem que ao lado da pessoa amada o tempo voa, mas queria eu que não voasse...

Laçá-lo-ei tal qual uma rês bravia, pra saborear a ternura de cada sorriso, de cada abraço.

E carregarei a ternura comigo, sempre... Acredite! Sempre em cada passo!

Porque minha pulsação só faz sentido se a ternura for motor e combustível, que me livra do embaraço.

Vil embaraço da solidão...

OUTRORA NO CANTO...

No embalo da canção,
A emoção já extrapola;
Gira, pula, deita e rola...
É prece!
É quermesse...
... Em dia de novena!

Nos bancos da saudosa praça
Há o namorico, o flerte, a zoeira...
A garotada se diverte a noite inteira.
Haja energia! E ói que há!

Já no canto sozinho...
Tá Boldrin...
O pobre só ousa espiar...

PROS ENAMORADOS


Pra fechar a tarde, essa linda composição. Romantismo a mil.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

PENDEREI NO TEMPO...

E aquela luz perfeita
Inebriou-me de um jeito tal...
Vi-me moleque matreiro
Bagunçando todo o quintal.

Revirei-me! Caminhei!
As pegadas lá não estão mais.
Pregaram em mim...
E não me largam jamais.

Porque no dia que largarem
A luz estará à frente,
Contudo o eu já fora,
Qual o vento que derruba as flores do jasmim.

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM!

Mais mudança (ops! será mesmice?) no front de batalha pública de Coreaú... Comentar? Pra que, quando a memória do povo ainda funciona, sobretudo a dos pais e mães de famílias dependentes de benefícios sociais do Governo Federal? Eles, sim, podem comentar... Eu, de minha parte, humildemente, fico na esperança de que o passado não se repita.

E pra não dizer que não falei de flores (frase batida, mas ainda sim emblemática da verve de Vandré), na Cultura há algo bom no forno! Vejamos o que vem pela frente, atentos!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CAIO CASTELO: BOA E NOVA MÚSICA CEARENSE

Quem tá na cena cultural com músicas autorais numa mistura de estilos é Caio Castro, diretamente de Fortaleza. Abaixo, uma amostra de sua música, chamada Destoa:

O novo álbum do artista, intitulado Silêncio em Movimento está todo disponível para baixar em seu sítio oficial na internet: http://www.caiocastelo.com

TOMA TUA EMPELEITA E PARTE!

No alvorecer de minha peleja,
Dei-me defronte à desesperança.
Corri, corri, à procura de bonança,
Jurando achar algo de bandeja.

Contudo, não fui exitoso.
A caminhada é mais desafiante,
Na vida de cavaleiro andante,
O trecho não é de pleno gozo.

Podes crer, meu nobre “compa”,
A vereda é vero estreita,
E sem sonho não vais andar.

Pois o sentido, o verdadeiro,
Ninguém mais nesta empeleita,
Além de ti, pode te dar.

POR QUE NÃO FALAR?

Cotidianamente sento na cadeira da minha tribuna particular e leio as matérias globais (do mundo)... No Blog Coreausiara tinha uma frase de autoria do Freud: “O homem é dono do que cala e escravo do que fala”. Após ler esta frase lembrei-me de uma ligação do Zé Bedeu na qual me disse: “Cazusa deixa de estar escrevendo, pois a corte não está gostando!” Pensei: Se sou dono da minha consciência então por que calar? Sou filiado ao Partido dos Trabalhadores, porém isso NÃO quer dizer que tenho que concordar com tudo que advém dos seus militantes. No entanto, existem aqueles que são fervorosos e ultraconservadores das ideologias socialistas, e acabam por tornarem-se MUDOS sem, no entanto, serem surdos e cegos... Quem cala consente. Mesmo correndo o risco de ser escravizado, prefiro as correntes das masmorras a viver na escuridão da minha consciência.

Carlos Teles

sábado, 23 de fevereiro de 2013

NA PONTA ADAGA

O Jornal O Povo de hoje exibe uma foto - do Presidente da Câmara dos Deputados e do ex-presidente LULA - que me trouxe dúvidas. Explico. 1ª consideração: O sorriso do parlamentar vai de “canto a canto” de sua boca; Já o do ex-presidente, mal mostra os dentes! 2ª: A mão direita do Deputado mostra um sinal de positivo... Aqui vai a pergunta advinda da minha mente maldosa: Será que na mão esquerda do mesmo tem uma adaga afiada pressionado as costas do ex-presidente? Em minha opinião, embasada no semblante do Lula, esse “apoio” será apenas mais um sapo que o PT terá que engolir em prol da bendita governabilidade...

Ainda de acordo com a matéria citada anteriormente trago outra pitada de veneno. De acordo com Lula, Michel Temer será reinterado como Vice na chapa à Presidência da República no próximo pleito. Pergunto: Será que o “acordo” tem o aval da Presidenta? Será que é Ela quem está à frente das decisões políticas tomadas no Palácio da Alvorada?

Bem, daqui para frente NÃO vai ser diferente... Tudo será como antes! Quem está fora quer entrar para “se lambuzar” e quem já está dentro não quer “soltar o osso”. E povo como fica? Acho que só “CURUBIJANDO”, “ESPREITANDO”, “PASTORANDO” a comilança deles. É O PREÇO QUE SE PAGA POR NÃO SABER ESCOLHER BEM SEUS REPRESENTANTES!

Carlos Teles

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O SERTANEJO É SERTÃO

O sertanejo é sertão, na medida em que sua verve se aquieta tão somente ao ver a chuva cair, vertente de vida no torrão natal; e no dia já seguinte se coloca com seu chapéu de palha, arruma a semente, parte com a enxada na mão. Esperança e esforço diuturno, pra fazer nascer do barro misturado com o suor o alimento que lhe faz – barro fecundo, vivo pó.

O CRÍTICO E O CRITICADOR

A crítica quando construtiva é salutar, porém revestida de ironia ou ressentimento torna-se vulgar e desprezível. Machado de Assis, in “Crônicas”, assevera: “A crítica é uma missão que exige credenciais valiosas.” No cenário da crítica, duas figuras despontam com certas características: o crítico e o criticador.

O crítico e o criticador parecem ser iguais, porém uma grande diferença pode ser visualizada nas atitudes críticas de ambos. Aurélio Buarque de Holanda, no seu conhecido “Dicionário Aurélio – Século XXI”, certifica: “Crítico - Aquele que faz críticas; censor.”, e “Criticador - Aquele que tem por costume criticar.”

Machado de Assis, extraordinário homem de letras, do alto de sua sapiência, in Crítica Literária, “O ideal do crítico”, publicado originalmente no Diário do Rio de Janeiro, 8/10/1865, falando sobre a crítica faz as seguintes advertências:
“Crítica é análise, — a crítica que não analisa é a mais cômoda, mas não pode pretender a ser fecunda.”
“A ciência e a consciência, eis as duas condições principais para exercer a crítica.”
“A tolerância é ainda uma virtude do crítico. A intolerância é cega, e a cegueira é um elemento do erro; o conselho e a moderação podem corrigir e encaminhar as inteligências; mas a intolerância nada produz que tenha as condições de fecundo e duradouro.”
“Moderação e urbanidade na expressão, eis o melhor meio de convencer; não há outro que seja tão eficaz. Se a delicadeza das maneiras é um dever de todo homem que vive entre homens, com mais razão é um dever do crítico, e o crítico deve ser delicado por excelência.”
Quanta profundidade nesses ensinamentos do ínclito literato brasileiro Machado de Assis. Como seria bom esforçarmo-nos para assimilar tamanha lição, exigindo de nós mesmo coerência e moderação em nossas atitudes, principalmente na seara da crítica.

Fortaleza, 17 de fevereiro de 2013.
Leonardo Pildas

Deste blogue:
Há aqueles que não sabem, não querem ou não têm coragem de criticar. Há aqueles que ousam lançar críticas e questionamentos sinceros (mesmo que provocadores) quando necessário (ou quando impelidos por ímpetos). Há, ainda, aqueles que são desmedidos na crítica, deixando transparecer a revolta ou a oposição completa. Nenhuma crítica é neutra - expressa uma posição! Ora, entre os dois sentidos de crítica (do criticador e do crítico), deve-se medir os interesses das afirmações (expressos na sua prática), se são bons, então bem-vindas sejam elas. Em assuntos de teor público, a crítica é fundamental, no sentido de questionar, de reivindicar. Se por medo de perder amizades ou incomodar, vamos todos nos calar na hipocrisia.

COREAUENSES EMPOEIRADOS

“O pior cego é aquele que não quer ver”. Assim, como o ditado, é a população coreauense... Para que se tenha um desenvolvimento sustentável municipal é fundamental que as escolhas dos eleitores sejam por pessoas voltadas para um crescimento local. O nobre defensor público Eliton Meneses em parte tem razão; no entanto, vejo que a maior pobreza dos nossos conterrâneos é a falta de um espírito de “coreaulidade”. Deveriam se espelhar no patriotismo dos americanos ou dos argentinos... Teriam uma maior “coreaulidade”! Quando o eleitor vender seu voto por qualquer “mimo de candidato” é uma prova de que não respeita a sua terra natal. A grande maioria tem um pensamento imediatista... Certa vez, disse-me Zé Bedeu “dinheiro na mão, cidade no chão”. Daí os nossos coreauenses viverem no chão... empoeirados.

Carlos Teles

domingo, 17 de fevereiro de 2013

POBREZA EM COREAÚ

Perguntaram a um médico voluntário, num campo de refugiados da África, qual sua especialidade, e ele respondeu:

– Sou especialista em pobreza.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mede o progresso de um país, de um estado-membro ou de um município, a partir de três dimensões: renda, saúde e educação. O último IDH medido de Coreaú corresponde a 0,591 (PNUD/2000), refletindo uma pobreza acentuada do município.

O Prof. João Teles propõe dez questões cujas respostas – ou tentativas de respostas – deveriam figurar num livro de História de Coreaú. A sexta questão indaga onde estariam os bolsões de miséria do município. Ora, não somente por acreditar na frieza dos números do IDH, mas sobretudo por conhecer a realidade coreauense, imagino que a questão seria mais facilmente respondida se realizada de maneira invertida, ou seja, se pedisse a indicação dos bolsões de riqueza da Palma.

Os bolsões de pobreza permeiam praticamente todo o município, particularmente as áreas periféricas da cidade de Coreaú e das sedes dos três distritos – Araquém, Aroeiras e Ubaúna –, as diversas vilas e localidades, desprovidas de quase tudo, os casebres isolados da caatinga; enfim, a pobreza se alastra pelos quatro cantos do município. Sendo honesto, poder-se-ia lamentavelmente caracterizar o município inteiro como um grande bolsão de pobreza. De toda sorte, como a questão pretende identificar especificamente aqueles que vivem na miséria – condição mais severa, típica de pobreza extrema –, haveria de ser realizado um levantamento específico, seguindo os rastros da pobreza que serpenteia todo o território municipal.

Eliton Meneses, no Diário de um Navegante

DO TÉDIO E DA FALTA DE PERSPECTIVAS...

Em tenra idade, e até os dias de hoje, deparei-me com o tédio, qual seja da pobreza e do sofrimento imputado duma vida sem norte. Trato dos rincões, das ruelas, dos vilarejos dessa terra da Palma (ora Coreaú) de patrões e explorados. À janela, a ausência de oportunidades, de sentido... tantos pais de família à espera de bicos, agricultores sem terra e sem acompanhamento técnico. Donas de casa presas às novelas e à rotina caseira, tão somente! Jovens às ruas, ócio...

Emprego? Só longe! Cultura popular? Ocupação? Integração das comunidades? Animação às ruas para fugir do monótono? Difícil se ver!

Não é à toa que em época de eleição, o emprego de Prefeitura como moeda de troca pelo voto é tão apraz, ou que as esmolas distribuídas são tão bem aceitas. Continuo a pensar, entretanto, que a única saída para o tédio oriundo do vício alimentado pela miséria, é um projeto, não qualquer, um projeto comum.

Não é difícil, nem tampouco oneroso, promover atividades para sacudir a Palma com o som da cultura de nossa gente, com o esporte, com a dança, com o cinema, com o teatro...! Só custo crer que do conservadorismo nasça isso!

BLOCO NAS RUAS

O Brasil não precisa de mais partidos e sim de políticos voltados para trabalhar em prol de uma população altamente necessitada de políticas públicas. Essa é a função dos nossos legisladores; coisa que não acontece, pois os objetivos que os levam ao poder são de interesse próprio.

A decadência da política brasileira é decorrente da falta de ideologia das pessoas que compõem estas agremiações. O Partido dos Trabalhadores que lutou tanto para chegar ao Palácio da Alvorada é um desses partidos que está manipulando cargos públicos em troca de apoio governamental. O PT está comemorando trinta anos de existência e dez no planalto. Uma pergunta básica: a ideologia que percorria nas veias do PT antes da “subida” da rampa palaciana ainda existe? Com certeza não. O que temos é a governabilidade. Para obter esse apoio acendem-se velas até para o diabo...

É inadmissível um pais como o Brasil ter tantos partidos. Já não bastam os existentes – inoperantes - e querem ainda aumentar esse número. Ao invés de aumentar esse número seria mais prudente reduzir os existentes. Somente assim teríamos menos comercialização eleitoral.

A população brasileira tem que ser protagonista desta seleção eleitoral. Como? Votando em pessoas vocacionadas para exercerem a função de legislador público.

O começo desta transformação deveria iniciar-se nos municípios brasileiros. O que temos hoje são grupos políticos (famílias) que se alternam entrem si. É hora de fazermos uma revolução política. Escolhendo candidatos a vereadores e gestores municipais identificados com as causas sociais. Somente assim teremos um Poder Legislativo e Executivo voltado para atender ao que a população mais necessita.

Os movimentos sociais e eclesiásticos que tiveram um papel fundamental na chegada do PT ao Planalto da Alvorada, por que se calaram? Será que foi decepção dos companheiros? A vida é feita de acertos e erros. Podemos dizer que de mais acertos do que de erros. Porem, os erros cometidos hoje continuam sendo comuns aos do passado. Um desses principais é o da comercialização eleitoral. Está, mais do que na hora, dos movimentos emergirem das profundezas dos seus silêncios e porem o pé na estrada. Por os blocos nas ruas, clamando, mais uma vez, pela participação popular nesta assepsia eleitoral.

Carlos Teles

Deste blogue:
Bem, os movimentos não se calaram, talvez o grito tenha ficado mais inaudível. Afora, tantas lideranças de outros tempos foram absorvidas pela burocracia estatal e do terceiro setor, além de terem se afundado no pragmatismo da democracia burguesa. Os movimentos mudaram sua dinâmica interna, conquistaram alguns avanços, muito embora as grandes mudanças de base não tenham sido conquistadas. Há uma profunda desilusão atualmente no que toca à política partidária; e não creio que a solução seja a criação de mais partidos.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

ATO EM PROL DA DEMOCRACIA NA UVA

Hoje, com portões fechados, deu-se a eleição da "nova" reitoria da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), sem que a grande massa dos professores, funcionários e estudantes pudesse participar da decisão ou sequer saber das propostas dos candidatos (se é que existem): uma escolha somente por conveniência política. 

Não era de se esperar menos de uma universidade que se dissipa na privatização e na comercialização da educação através de institutos educacionais que servem aos interesses econômicos de alguns privilegiados que com eles lucram - a mais plena ausência de democracia e a mais clara manifestação de autoritarismo. 

Foi contra essa armação que um grupo de manifestantes se colocou em frente ao campus da Betânia hoje pela manhã, demonstrando a insatisfação, finalizando o ato no Becco do Cotovelo. Quanto tempo mais reinará o autoritarismo e o desleixo para com a coisa pública nessa universidade tão estratégica para o desenvolvimento de nossa região?

OPORTUNIDADE DE CURSO GRATUITO E COM CERTIFICADO

Quais os direitos fundamentais do ser humano? Onde estes direitos têm sido infringidos em nossas comunidades? O que podemos fazer para cooperarmos em prol da Geração da Paz?

Para quem se interessa por estudar algo que facilite sua compreensão acerca de tais questões (e outras mais), indicamos o mais novo curso realizado em parceria pela Fundação Demócrito Rocha (FDR), Universidade Aberta do Nordeste (UANE), Secretaria de Educação do Estado do Ceará (SEDUC) e Universidade Estadual do Ceará (UECE). Ademais, é gratuito e certificado de 120h/a. Aproveite!


Para se inscrever, basta acessar o site http://fdr.com.br/direitoshumanosegeracaodapaz/ e preencher para enviar suas informações. O curso disponibiliza semanalmente fascículos através do jornal O Povo, a partir do dia 18 de fevereiro, além de dispor do material em versão digital no AVA - Ambiente Virtual de Aprendizagem. Degustemos e reflitamos o conteúdo, e não somente a certificação!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

UM ACHADO MUSICAL



Duas vozes que se conversam bem demais numa boa música regional sergipana. Grato demais, Rolando!
Mais deles:

CAMINHAS À BEIRA DO ABISMO

Se bem nas entranhas arde o temor, onde haverá o verdadeiro sentido deste porvir? Tantas vezes te vi encurralado na angústia de não saber pra onde ir! Não pôde se cansar; ainda não era tempo. E o tempo caminha ao seu lado, dizendo-lhe: “vai e faz! Caso não faças, jamais poderás!” Inefáveis ordens guiam-lhe na imprudência. O abismo está no desistir!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE UM ILUSTRE MESTRE!


Jovens leitores, muitos de vocês que tentam decodificar esses símbolos neste instante, talvez concordem com as palavras vindouras, palavras curtas, mas verdadeiras, muitas delas talvez palavras soltas, adormecidas, presas. A nossa formação – seja ela qual for – não depende só de nós, existem aquelas pessoas que fazem muito por nós, nos mostram outros mundos, despertam em nossa mente um desejo em prosseguir nossa caminhada. Para muitos araqueenses, há um indivíduo que muito contribuiu para sermos o que somos, sermos o que desejamos ser.

A Educação de Araquém não seria a mesma sem os ideais desse personagem, sem suas ações, sem sua persistência, sua crença em uma revolução de nossas mentes para a construção de um mundo melhor, uma Sociedade menos injustiçada.

Nestes traços, quero manifestar meu pensamento em relação à esse indivíduo que muito contribuiu para a minha formação e despertou em mim a busca por novos horizontes e um olhar diferente sobre o mundo. Refiro-me ao ilustre Professor Zé Maria (o Zé Jacó), homem de ideais autênticos, com formação política e humana aguçada, que mesmo estando inserido em uma Sociedade dominada pelos valores materiais, acredita na construção de um mundo melhor, mais dinâmico, em que podemos ser os próprios protagonistas de nossa história. Infelizmente (e que infelizmente) hoje ele já não se encontra em sala de aula do Ensino Médio fazendo uma das coisas que mais gosta – que é ensinar. Que grande tragédia sua saída de sala de aula! Que grande perda para a nossa Escola, para os nossos alunos, para o nosso progresso, para a nossa Educação!

Fico me questionando: Por que tirar de sala uma pessoa tão importante para a nossa Educação? Uma pessoa tão preocupada com os problemas do mundo, com as injustiças? Sua saída foi escolha ou imposição? Bem, muitas vezes temos de nos conter com decisões alheias (mesmo fazendo parte de um sistema que se diz democrático) tendo com isso, várias consequências nada simpáticas.

Quem conhece o professor Zé Maria, entende o porque dele adorar trabalhar com pessoas, realmente é um indivíduo que tem um grande gosto pelo saber, pelo ensinar, pelo intelecto, pelas transformações sociais. Além disso, acredita nas mudanças, sendo estas em todos os setores da esfera humana. Um homem que acredita num processo de conscientização de nossos jovens, para com isso ocorrer mudanças no Social, em nossa maneira de ver o mundo e se relacionar como verdadeiros seres humanos que se preocupa com a preservação daquilo que reflete a construção humana. Todo esse pensamento é trabalhado em suas aulas e acaba sendo proliferado para aqueles que o admira, em quem o respeita.

Fico pensando quantos jovens se inspiraram neste professor, quantos jovens acreditaram em seus ideais e correram atrás de seus sonhos, tudo isso pelo simples fato de presenciar as aulas do Zé. Fico pensando quantos jovens foram influenciados pelos ideais dele, quantas mentes foram despertadas e direcionadas à uma busca pelo intelecto, pela leitura, pela compreensão do mundo, uma busca pela transformações sociais. Quantas pessoas se fortaleceram simplesmente por ser aluno dele, por compartilhar de suas conversas. Fico imaginando quantos sonhos hibernados foram despertados pelas ações dele, pelas suas aulas, pelas suas palavras, pelas suas “puxadas” de orelhas (e necessárias). Como seria gratificante para os alunos do Ensino Médio tê-lo como professor em sala. Como seria importante para o desenvolvimento e progresso da Educação de Araquém. Acredito nos Professores, mas infelizmente, muitas ideias deixarão de brotar, de florescer, de desenvolver com a ausência dele da sala de aula.

É um Homem sonhador? Sim, e todos nós que acreditamos no progresso somos sonhadores e acredito que devemos ser. Somos quixotescos sim, e devemos à ele isso não há dúvidas. Foi ele quem nos fez pensar diferente, nos disse “que as nuvens não eram de algodão” e que nós (inclusive você que agora ler essas palavras) poderíamos voar muito mais longe do que os “outros” imaginavam. Afinal de contas, ser um sonhador, um utópico demonstra nossa existência ou ao menos mostra um sinal de resistência. Pois é, ele nos ensinou (ou nos influenciou) a sermos resistentes diante dos fatos.

O professor Zé Maria é um homem que acredita que as raízes do Progresso se encontram na Educação, na leitura e tudo isso ele tenta passar às mentes jovens através de suas aulas e em outros momentos oportunos.  Para um homem com todas essas características, há lugar melhor de se estar do que em sala de aula dando sua melhor contribuição? Antes de responder a esse questionamento, faz-se necessário refletir sobre o que desejamos para o progresso de nossa Sociedade. Se desejarmos progresso em nossa educação (a de Araquém principalmente) acredito que a saída dele de sala de aula seja um inibidor desse processo, não que desacredite nos demais professores, mas pelo fato de ter despertado muitas outras mentes. Muitos sonhos continuarão a brotar mesmo com sua ausência, mas sem dúvida, de forma menos intensa.

Sua contribuição para o desenvolvimento da educação de Araquém foi e é de importância astronômica – aqui peço a compreensão daqueles professores que vieram antes dele (aqui menciono apenas os professores, pois é grande a quantidade de estudantes que se destacaram por onde passaram. Existem muitos outros profissionais que foram seus alunos). Quantos professores do Ensino Médio de Araquém devem sua formação aos ideais desse ilustre Professor? Desse ilustre Educador? Paulo Souza, Raimundo, Francisco, Edilson, Joziane, Nelton, Jaíla, Galba, Fábio, José Souza, Chaguinha, Marcos Souza etc. Todos esses são jovens professores do Ensino Médio de nosso distrito e, todos foram alunos dele. Como devemos à esse homem! Nossa! Que riqueza de profissionais tem nosso distrito! Ou melhor, que sorte a nossa, ter tido um Professor como ele! Que perda tê-lo fora de sala de aula! Realmente, sua presença e ou ausência em sala de aula faz uma grande diferença. E como faz!

Me expresso como seu aluno, como aprendiz, como um indivíduo que aprendeu muito diante das conversas que presenciei. Acredito que neste momento, muitas pessoas estão lamentando – e com razão – a grande perda que a Educação de Araquém terá com a saída do Professor José Maria Gomes de Lima (o Zé Jacó) da sala de aula. Parafraseando Ivan Pavlov, “conheça, compare, colete os fatos” e assim será capaz de perceber a grande importância deste ilustre Professor para todos nós que acreditamos em um mundo melhor, que acreditamos que as mudanças são possíveis, que nossa maneira de ser e ver o mundo pode mudar e tudo isso se deve à Educação e às pessoas que convivemos.


E vocês que leram até aqui, peço que quando se tratar de educação (no sentido real) lembrem-se das palavras de Aldous Huxley: “pelo fato de terem sido contemplados com relativa dose de liberdade profissional (vejam bem, liberdade profissional, grifo meu) é que os professores, cientistas, técnicos russos chegaram à realizações tão notáveis”.

Seria essencial que esse ilustre Professor, continuasse DESPERTANDO RESPEITO E ADMIRAÇÃO nos jovens, mas dentro da sala de aula.

Por: Marcos Souza
Ex-Aluno do Prof. Zé Maria, hoje também professor

Deste blogue:
Haverá quem entenda: misturar gestão da coisa pública com intrigas pessoais é no mínimo um gesto imoral de imaturidade e desrespeito.

OPORTUNIDADE DE CURSO DE CORTE E COSTURA EM ARAQUÉM. APROVEITE!

A Associação para Educação e o Desenvolvimento Integrado – AEDI e a Secretaria de Trabalho e  Desenvolvimento Social do Governo do Estado (STDS) no uso de suas atribuições, tornam público o presente Edital de abertura das inscrições e estabelece critérios relativos às inscrições do “Curso de Corte e Costura”.

O Projeto “Criando Oportunidades” Qualificação Social e Profissional do Trabalhador Cearense é um projeto do Governo do Estado por meio da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social, STDS, que tem como principal objetivo, contribuir para consolidar a política de geração de emprego, trabalho e renda preconizada pelo Governo do Estado, articulada com outras políticas públicas, na perspectiva do fortalecimento da cidadania e ampliação das oportunidades de inserção dos cidadãos cearenses em situação de vulnerabilidade social e econômica no mundo  do trabalho.

O Projeto tem por princípio o modelo de gestão compartilhada entre as esferas estadual e municipal, com a participação de instituições públicas e privadas e entidades da sociedade civil, capaz de responder às transformações que se operam no mundo do trabalho e às peculiaridades da força de trabalho jovem e adulta do Estado.

São 30 vagas para o distrito de Araquém e localidades vizinhas. Abaixo segue o edital e ficha de inscrição.

- Download EDITAL

- Download FICHA DE INSCRIÇÃO

(do AraquémNews)

sábado, 9 de fevereiro de 2013

BRASIL NA MÃO DO PMDB


Como diz Zé Bedeu, “Agora lascou o Procópio!”. O Brasil está na mão do PMDB.  Por que esta exclamação? No Congresso Brasileiro as duas cadeiras mais importantes são ocupadas, hoje, por dois “peemedebista” com suas fichas “mais sujas que poleiro de galinheiro”. E, lembramos que as decisões tomadas pelo Poder Executivo tem, necessariamente, que passar pelo aprove dessas “duas cadeiras” – Câmara e Senado.

Uma pergunta simples cai bem: como fica o Partido dos Trabalhadores, do qual a nossa Presidenta é filiada, no tocante ao seu poder de decisão? Simplesmente será um cumpridor de ordem dos peemedebista? Ou mantém sua autonomia?

O PMDB tem a maior bancada no Congresso, mas nunca teve a intenção de ocupar o cargo majoritário brasileiro. Isto está muito claro, pois é mais lucrativo sobreviver na sombra do Palácio da Alvorada. E o mais importante: Dessa forma decidi-se, mas não se tem notoriedade nas ilicitudes tramadas no submundo político brasileiro.

O Povo brasileiro tem que pintar a cara, de novo, e ir para às ruas com o intuito de banir estes políticos que entram na Política com objetivos próprios e predefinidos. Ou seja, entram para se darem bem! Esta espécie de políticos existe em todos os partidos... Lamentável, no entanto, é que, hoje, o partido ocupante do Planalto da Alvorada é um fomentador dessa classe. Os dois peemedebistas foram colocados lá por orientação do PT. Arrisco em dizer que a negociação foi do tipo “toma lá da cá”. E o povo como fica? Com o dedo na boca...  

Carlos Teles

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

REFLEXÕES SUCINTAS SOBRE O PENSAR E O FAZER POLÍTICA

“Tem política a favor, tem política contra, não é? Tem política de uns e a política dos outros. Aliás, André, na vida tudo é político. ‘Tudo é político, mesmo que o político não seja tudo.’”
Dom Pedro Calsadáliga, 
numa cena do filme Anel de Tucum (Verbo Filmes, 1994)


A política parece ao trabalhador tão distante, tão distinta da sua realidade costumeira, das rugas e do cansaço acumulado na lida diária pela sobrevivência. Vê-la na televisão, nas manchetes dos jornais, no rádio, na internet... Há figuras que falam e representam o papel do político, do que detém o poder nas mãos. Mas e a efetiva política, onde está? E mais, onde estão os que sabem da política?

Seguindo um raciocínio rotulado de marxista, durante a história humana notamos uma constante relação de opressor-oprimido. O que oprime, para tanto, precisa dispor de poder, seja econômico, religioso, ideológico, político etc., e com ele exerce influência sobre o comportamento dos oprimidos. Daí temos o rei e o súdito, o patrão e o empregado, o sacerdote e o crente, o senhor e o servo, o dono e o escravo, e assim por diante. As relações de poder permeiam toda nossa vida, influenciando-nos de uma forma ou de outra, para nosso benefício ou malefício; entretanto, há os que mais são afetados pela esfera propriamente política, o que numa sociedade capitalista diz respeito à classe trabalhadora e ao mutirão de reserva que sequer vender sua força de trabalho consegue, estando estes ainda mais a depender, por exemplo, do Estado. E o Estado, a potência pública, toma como prioridade em suas ações, em diferentes esferas, o interesse efetivamente público, para suprir as demandas das camadas sociais mais necessitadas de amparo e de justiça social? Nem sempre isso ocorre, sabemos. Nem sempre a potência pública é usada com o interesse de contribuir com as necessidades dos mais necessitados, dos que deveriam ser prioridade aos olhos da instituição legitimada com o fim de zelar pela coletividade, isto é, o Estado. E onde está o povo quando o desrespeito acontece? À espera de boa vontade?

Ora, desde que me iniciei em assuntos pertinentes à coisa pública, disseram-me: “se não se interessar por política, saiba que não faltará quem se interesse por você e tire proveito de sua omissão”. Há uma estória que ilustra essa máxima: ao caminhar numa rua, deparo-me com um estuprador abusando uma mulher; sigo meu caminho, como se nada estivesse acontecendo, sem alertar a polícia ou tentar defendê-la. Pergunta-se: do lado de quem eu estive? Da mulher é que não foi! Portanto, fui conivente com a agressão da mulher, conivente com o agressor. A mesma lógica pode ser transferida à pauta pública.

Gilvan Rocha, um ativista político e estudioso cearense, afirma que a razão dos opressores sobrepujarem os interesses públicos e se manterem hegemônicos é que quem sabe não pode e quem pode não sabe, isto é, há os que detêm o conhecimento das causas das injustiças que afligem a população, mas são minoria (e dentre eles há um sem-número de acomodados), e a população em sua maioria, os trabalhadores, quem teria mais voz para reivindicar melhores condições de vida, que não sabe a causa política de várias injustiças, não vê as amarras que o seguram e, por conseguinte, não se organiza suficientemente para fazer a mudança acontecer. Cabe aos que sabem a dura tarefa de levar o conhecimento que adquiriram aos demais, como conscientização para se construir uma viabilidade de ação política conjunta.

Os seres humanos organizados são capazes de muitas proezas, de produzir coisas inimagináveis, mas até que se organizem é um processo insistente, que exige perspicácia e determinação. Pode-se falar em três sentidos para aquele que se inclina ao estudo da política, num âmbito filosófico e científico: (1) entender para se beneficiar, (2) entender para intervir e mudar e (3) entender para ostentar. O primeiro diz respeito aos que se interessam pela política, para tomar proveito dos conhecimentos em benefício próprio, usar da filosofia e da ciência enquanto fundamento para a construção de uma estratégia e conseguir alcançar os objetivos de poder. O segundo é daquele que busca o conhecimento da política para se emancipar e tentar emancipar aos demais, uma vez que só há militância contundente com uma teoria que a sustente. O terceiro diz daqueles que desejam conhecer, mas não interferir, pelo medo de perder a neutralidade, pelo menos ao que se diz, porque talvez o medo seja de que ao tomar para si uma causa possa perder o sossego que a acomodação dá ou porque se está a favor do status quo.

O estudo da política exige um embasamento na análise dos fatos reais, tais quais se sucedem em nosso dia a dia; de outra forma que não essa se torna especulação ou elaboração de uma utopia inalcançável. O conhecimento político acaba por envolver de uma forma ou de outra uma práxis, de acompanhar os fatos e os diversos fatores que se entrelaçam para que ocorram da forma como os encontramos. Porque, realmente, há muito não público que, se sabido fosse, trar-nos-ia às claras as razões de determinadas escolhas serem tomadas e não outras, de porque determinada classe se mantém no poder e não outra, dos que realmente decidem os rumos para além das aparências. Poderia até ter a ousadia de dizer que a distância entre o dever-ser da política e o ser anda lado a lado do especular sobre ela e o praticá-la, porquanto só na lida com os dilemas políticos e no labor de tentar solucioná-los com os outros e também contra outros (a depender da perspectiva) é que se pode pesar fielmente as reais proporções da esfera política de um dado lugar. Não raro, pessoas estudiosas de política, que dominam os teóricos, os conhecimentos e reflexões pertinentes, não conquistam grande êxito ao querer suplantar a teoria ao universo dinâmico e contraditório das relações políticas. Política é prática, é ação e intervenção.

Nesse sentido, o saber político se constitui num observar e refletir, mas também num fazer, e é neste fazer que está o diferencial do embasamento perante os diversos fatores circundantes à dinâmica social das instituições públicas.

Não há militância sem causas, sem bandeiras, sem projetos para defender. Não há, porquanto, movimento político legítimo que se sustente sem intelectuais que fecundem o campo de intervenção ante a realidade com pautas, propostas e análises críticas para conduzir os processos de ação. É esse um grande desafio do campo progressista atualmente: manter-se firme em seus ideais e defesas em meio à vastidão do chamado “pragmatismo político”, do vale-tudo das campanhas eleitorais, dos partidos ilegítimos de aluguel para promoção pessoal de alguns, da venda da política pelos marqueteiros. Não são poucos os intelectuais que se frustraram ao baterem de frente com a barreira que existe entre a idealização e a crueza da realidade política. Os partidos acabam por ir se esvaziando de seus pensadores. Pouco a pouco, a ideologia deixa de ser questão relevante no debate político, se é mesmo que algum dia foi mais que hoje. É nítido, entretanto, que a linha divisória nas campanhas entre Esquerda e Direita anda tênue, sobretudo com uma Direita que não ousa demonstrar descaradamente seus interesses e planos e com uma Esquerda que teme que o radicalismo espante os votos.

A militância legítima se embasa em construtos teóricos advindos de um confronto entre o que se espera da realidade política e como ela realmente se apresenta, objetivando mudanças. Nesse esforço de concretizar um modelo ideal, há de se pensar estratégias e implicativos éticos para ação, até onde se é possível ceder em nome da chamada estratégia, por exemplo? E nessa militância se insere um engajamento para além do âmbito eleitoral, no caso de regimes democráticos, como é o nosso caso, habitando em um regime representativo, de direito, ao se fazer política em espaços que transcendam a esfera da representação, passando à participação, uma vez que a política tem sido afrontada por uma profunda desilusão por parte das pessoas atualmente.

Na realidade, a população de hoje perante uma ausência de formação política, custa dissociar política do seu âmbito puramente partidário, e daí que se encontra uma das maiores dificuldades de organização, da política num sentido mais amplo, que abarque sua parcela de responsabilidade de uns para com os outros, da necessidade de se inter-relacionar em instituições com a finalidade de promover o bem-estar comum.  Há de se entender que política vai muito além de eleições, sendo também concernente às diferentes organizações instituídas pelas pessoas, diga-se às associações, sindicatos, coletivos, movimentos sociais, e todas as demais entidades criadas pelo povo em prol de causas suas; obviamente que nem sempre essas instituições em suas práticas levam a cabo tais causas, acabando por servir inúmeras vezes aos interesses individuais das pessoas que a frente delas se encontram e, internamente, há suas disputas de interesses, também políticas. É importante a inserção das pessoas nessas esferas de atuação, cobrando, fiscalizando e fazendo valer sua vontade, construindo uma ação política conjunta que abarque legitimamente seus interesses e necessidades, uma vez que a política que queremos é a política que devemos fazer e não esperar que façam em nosso lugar.

É nesse contexto de analisar as diferentes esferas de participação política disponíveis hoje e as possibilidades de atuação que encaixo a demanda de estudo e elaboração de um saber político, através da filosofia, da sociologia ou psicologia social, por exemplo. Sempre partindo da concepção de que a teoria parte de um contato com a prática, e distante dela não faz sentido ou tem utilidade, no caso da política ainda mais especialmente, ao se defrontar com as limitações que são impostas às ações públicas, a dinâmica das massas e públicos organizados, sabendo até onde a ação dos indivíduos, sobretudo daqueles que ao se defrontarem com o saber político e a responsabilidade de utilizá-lo em prol da coletividade, podem gerar mudanças, pensar planos de ação comum e se organizar para efetuar a luta por conquistas sociais.

É nessa esfera da política, enquanto instrumento de interferência em favor da coletividade, que se dá a importância da teorização, da construção de modelos e projetos, ancorados na firme reflexão e pesquisa, para se firmar na ação que construa a mudança que queremos na sociedade, para tanto é preciso compromisso e disposição. É preciso "se movimentar, para se sentir as correntes que o prendem", saindo do campo da acomodação e teorização, abarcando o âmbito da ação, da militância, do fazer-acontecer.

[Com a colaboração nas reflexões da Profa. Dra. Rita Helena Ferreira Gomes, uma amiga.]

"NÃO ENTRE NESSE MATO, PORQUE TEM MAPINGUARI!"

Seguindo o embalo de Manuel de Jesus, lembro uma música popular, tratando de uma expressão da cultura indígena amazônica com a cultura dos caboclos, o Mapinguari.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

MUDANÇA NO BRASÃO MUNICIPAL DE COREAÚ

A utilização do brasão como símbolo da Prefeitura em obras e eventos, para além de logomarcas que servem ao engrandecimento pessoal de gestores que a elas se associam, é uma ação madura politicamente e legítima no aspecto moral e legal.

Quanto às modificações no brasão, a coroa mural e o listel são de praxe; já nos símbolos internos, sabe-se ser um pássaro e uma cabeça de touro, não exatamente um urubu e uma carcaça, mas fica a deixa pra inferir que o sejam; há uma montagem divulgada na internet que colocou um urubu no lugar do pássaro preto, um solo rachado no lugar do terreno amarelo e uma carcaça no lugar na cabeça de touro, porém trata-se de uma interpretação pessoal. De toda forma, se assim realmente o for, é de fato muito mau gosto pra símbolo municipal! Que as mudanças ocorridas no símbolo oficial retratem legitimamente nossa gente e nossas riquezas (que existem sim!).

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

SOZINHO COMO UM ASTRONAUTA

Olho em frente e não vejo ninguém;
Sinto que dentro de mim algo está em falta;
Não sei explicar, mas é assim que me sinto,
Sinto-me como um astronauta.

Sozinho me sinto, sozinho me perco,
Não sei onde estou; de repente me vejo
Em um abismo escuro e estreito;
No fim avisto um enorme buraco negro.

Eu sei que existem milhões de pessoas iguais a mim,
Pessoas esquecidas pela população,
Buscando um caminho para seguir,
Nessa gigante imensidão.

Às vezes acho que estou no espaço,
Tento emitir algum som, mas não sou ouvido;
Ninguém nota a minha presença,
O mundo parece ter me esquecido.

Olho para o céu e vejo uma linda constelação.
No fundo, enxergo uma estrela solitária e sem brilho;
Sinto-me como aquela estrela,
Sozinho e sem destino.

Sou como um satélite perdido no espaço;
Não tenho para onde ir nem ninguém para me ajudar;
Hoje já não tenho rumo e nem mesmo mundo;
Preciso de alguém que me ajude a levantar.

Como farei para vencer esta dor?
Como farei para sentir o amor?
Talvez meu sentimento esteja posto de forma errada,
Mas é assim que me sinto,
Como um astronauta no meio do nada.

Kelvis Albuequerque
Esta é mais uma colaboração de mais um jovem achado de Coreaú. As congratulações do blogue a ele, que continue escrevendo e se aperfeiçoando na arte, para engrandecimento de nossa terra.

DICA DE FILME - MAIS ESTRANHO QUE A FICÇÃO


Se sua vida fosse o enredo de uma obra literária? E se você pudesse ouvir a voz do narrador onisciente dessa obra? Conheça esse filme, sem muitas pretensões de bilheteria, que conta uma história que nos apresenta no universo da criação literária algumas reflexões sobre nossa condição de humanos.

DA CARTA CHEIROSA!

“Marcha, soldado cabeça de papel!
Se não marchar direito, vai preso pro quartel!”

À cantiga de roda, todos os soldadinhos se cruzavam na correria daquela tarde na escola. Empunhavam suas espadas de jornal enrolado, fazendo uma coreografia um tanto desengonçada; em meio aos risos mútuos, quebravam suas “armas” – de espada a chicote. A chuva do inverno caia lá fora, trazendo uma frieza gostosa (atípica), e a umidade amolecia ainda mais os jornalecos.

Enquanto todos os meninos corriam, um dentre eles permanecia sentado a um canto (há sempre esse “estraga-prazeres”), encantado com uma tomada. Queria pegá-la, entretanto sua mãe o avisara do perigo. Ousaria teimar? Tomou em cutucar com um pedaço de palha de carnaúba, que achou não sei aonde. Dois coleguinhas viram e foram acompanhar o experimento. Não custou a tia perceber e dar um berro ao longe: - Menino, larga isso! Tu vai levar um choque! De pronto, largaram e se puseram a brincar novamente; o pensativo nem com tanta empolgação, pois havia algo que o incomodava mais naquele dia. Uma dentre as pirralhas dali, nada mais nada menos que a rainha da quadrilha, chamava a sua atenção; ele é que não chamava a dela – entediante!

O tempo passou... Os estudos avançaram, as tias mudaram, mas a admiração pueril persistiu. Talvez um “não!” mal dado possa até alimentar certas esperanças, ou mesmo o motor seja a reles fantasia. Sabe menino idiota? Pois é, esse se adjetivava assim. Depois duma tarde inteira, deitado ao chão fresquinho de cimento queimado, rabiscara algumas linhas melosas: um flerte encabulado. Talvez a provável fonte do material para tal frescura fosse os programas da TV. Pensava: - Se lá dá certo, por que não dar certo comigo?

Roubou das moedas de seu pai uma fortuna equivalente a cinco centavos. Pegou a cartinha, dobrou-a carinhosamente e ainda salpicou um bocado de desodorante em cima (cheiroso, daqueles que tem estampado um boi na embalagem de plástico, encontrado em qualquer bodega de esquina), o cheiro talvez chamasse mais atenção. Ao olhar a carta, durante as horas que faziam o intervalo da entrega, chega os olhinhos brilhavam. A expectativa: imensa!

De manhã cedo, deu-a a um de seus coleguinhas, conjuntamente com o pagamento pelo serviço, e eis que foi entregue a encomenda à moleca. Já não era a primeira carta, mas bem que poderia ser a primeira a ser lida. Ela andava acompanhada de outra "curuminha" troncuda e valente, que desde cedo já se pusera a mangar. A "rainha" olhou pro Don Juan com uma expressão intrigada; ele sorriu temeroso e até quis esboçar uma piscada. Não deu tempo! Nem sequer sentiu o cheiro do desodorante, nem mal pegou nas primeiras linhas da carta, já a entregou à sua escudeira, que encarou o moleque, fez pouco dele, e rascou-a em miúdos. Restou-lhe um tapa e o sobreaviso que, se teimasse em "enchê-la", teria mais de onde viera o presente. Quão violentas e grosseiras poderiam ser as meninas com as quais sonhara nas noites frias daquele inverno!

Frustrado o menino, persistiu romântico, e só, por um bom tempo. O tapa valeu, a lembrança também. A solidão não durou pra sempre. Há quem goste de cartas!... Talvez, desde que sejam pouco menos melosas, e sem o bendito desodorante!

domingo, 3 de fevereiro de 2013

TEU MOTOR, TUA ALMA...

Olha, bem adiante!
Corre, vai a levante!
Nada te pode interceptar,
Se a esperança retumbante
Não para de rufar!

Olha teus rastros na areia!
O vento os carrega;
O tempo os entrega,
Faz medo pensar:
No nada,...
Naquilo que somos,
No medo que fomos.

Vai mesmo à marcha...
O motor é a crença,
A vida te dispensa,
Se não ousas sonhar.

BEIJO DA MORTE

Sorve a quimera no escuro da noite;
Vagueia nas asas da efêmera ilusão;
Montado na fera, vibrando o açoite;
Tal qual o arauto de infernal legião.

Refém do desejo da pedra grotesca;
Delira no vício de ardente atração;
Esquivo saúda a paragem dantesca;
Na turva memória, ignóbil intensão.

Rodopia o nirvana, envolto no fumo;
Enerva-se afoito em febril sensação;
Pragueja visagens, bodeja sem rumo;
Pervaga o universo deitado no chão.

Fora tragado pelo beijo da morte;
Inerme cativo da doentia tentação;
Caíra no abismo da vida sem norte;
Mais um suicida com a vela na mão.

Eliton Meneses

O RETORNO DE QUEM NÃO DEVERIA TER VOLTADO

Hoje, na primeira página do Jornal O Povo a foto estampada do novo Presidente da câmara do Senado. Ela (foto) refletia ao povo brasileiro o seu sorriso de vencedor e dizia: EU TENHO A FORÇA! Podemos dizer que este é um “Presente de Grego” deixado pelo ex-presidente Lula, já que, graças a ele, o Presidente do Senado de hoje e outros foram absolvidos da cassação.

Fico a imaginar como foi a negociata feita no submundo do crime do Palácio da Alvorada. Ainda temos que ouvir do “NOVO PRESIDENTE” que seu mandato será independente do Palácio. Dá para acreditar nessa? Entristeço-me em saber que o partido que outrora brigava pela decência e moral da política brasileira está no centro do furacão desta trama política...

Presidência do Senado: sai Zé, entra Cazuza. Um pelo outro e não quero volta. Falando jocosamente podemos dizer que a “raposa voltou ao galinheiro”.

Enquanto o povo está morrendo nas filas dos hospitais e os nordestinos continuam sem água para beber, a cúpula política desonesta do País se reúne para definir quem ocupará um dos cargos mais importantes do País. E o pior: ainda nomeiam uma pessoa que já deveria ter sido banida do cenário político brasileiro decorrente de ações duvidosas apresentadas anteriormente. Vejo esta ação como uma traição a mais dos nossos políticos! Chego a pensar que o povo brasileiro jamais vai acordar deste “pesadelo político”.  Para findar a nossa participação temos uma ótima noticia: Zé (o anterior) antes de se levantar da “cadeira tão cobiçada” disse que irá partir - definitivamente! A sua ida já é tarde demais para o povo brasileiro...

Carlos Teles