quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

COISARAL

Já olhou pra si e viu as coisas aderidas a você? Quanto se espelhou nas coisas? E quanto se esmerou para tê-las, valorizou-as, fantasiou com elas? O quanto as coisas fazem parte de você? Já viu sua blusa, calça, sapato, relógio, sua bolsa, carteira, celular...? Veja bem: sua. Assim como se diz “seu braço”, “sua perna”, “sua mão”... Será que você também é coisa? Será que quer ser?

As coisas diuturnamente lhe acompanham. O ser humano é um ser de coisas, de coisas idiossincráticas, coisas supérfluas, invenções, demasias... De coisas por coisas. O ser se imprime nas coisas, e as coisas despertam o latente sentido. As coisas têm valor, têm preço, têm custo, têm tempo...  As coisas lhe têm.

Se as coisas nasceram pra nós, hoje vivemos pras coisas. Vamos e voltamos atrás delas... Vivemos a partir delas, elas se incorporam a nós, e podemos viver pra elas. Não será que você vive em função das coisas que quer ter, que quer mostrar, que quer trocar (talvez por afeto, reconhecimento ou poder)? Mas já pensou no que pode haver além das coisas? Que coisa será essa?

E você, quando coisificou o outro? Quando quis lhe comprar, descartar, chutar...? Doeu ser tratado como coisa? E quando você se for, que coisa vai deixar? Que coisa vai levar? Que coisa será você? E por que o final das coisas tem que ser lixo? Se o ser humano é um ser de coisas, na mesma medida é um ser de lixo... Seu lixo é sua cara! Suas coisas são você! E o quanto você quer se apegar a esse coisaral!? Vá além das coisas, senão as coisas vão além de você!

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