quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

BRASIL O PAÍS DO FUTEBOL, BRASIL O PAÍS DA CORRUPÇÃO - POR HÉLIO COSTA

"Brasil, o País do Futebol", "Brasil, o País da Corrupção". Não seria a primeira a causa e a segunda a consequência? Ou seja, o desinteresse pela prática política (ocasionado pela atenção demasiada dos indivíduos a coisas como o futebol, por exemplo) não origina problemas como a corrupção?

Pois, observe comigo, se os indivíduos amassem a política como amam o futebol certamente estaríamos numa outra situação. Não falo do conceito de política deturpado pelo senso comum, sendo aquela praticada a cada dois anos (na maioria das vezes estruturada por práticas politiqueiras), mas sim aquela que necessita da participação efetiva dos indivíduos objetivando a conquista do bem comum. A política de que eu falo está intimamente relacionada à política praticada pela civilização grega em suas Ágoras, praças públicas onde ocorriam reuniões nas quais discutiam assuntos ligados à vida da cidade.
“(...) A política influencia em toda nossa vida, pois ela não está relacionada só com partidos e eleições. Política é, acima de tudo, a arte ou a ciência de bem cuidar e organizar a vida em sociedade, para que todas as pessoas possam viver dignamente, com liberdade e felicidade.” (Roberto Iunskovski – Missão Jovem). 
Muitos matam e morrem para defender o time que amam, além disso, vão às ruas, gritam, entram em confronto. Outros vendem o carro ou pedem demissão do emprego. Em programas de TV alguns indivíduos ultrapassam sua racionalidade beijando animais ou então comendo cocô de criança, tudo isso para ter a oportunidade de assistir ao jogo do time que tanto ama.

Desde crianças estes indivíduos são socializados por seus pais e pela sociedade a gostar de futebol e a participar ativamente deste, chegando ao ponto de praticar certas loucuras. Não é raro assistir cenas mostradas pelos meios de comunicação com crianças chorando por que seu time em algum jogo não se saiu vitorioso, outras dão risadas apenas quando seus pais falam no nome de seu time (no caso o time dos pais e não da própria criança).

Com base no contexto abro uma indagação: Na realidade atual em que vivemos qual a porcentagem da população brasileira que faria isso em prol da política? Quase zero, mas sempre tem uns gatos pingados.

Não estou aqui querendo dizer que para o Brasil ou o mundo ficar melhor as pessoas devam praticar essas barbaridades pela política, mas sim que elas deem mais valor a esta, assim como dão valor a coisas desnecessárias, a exemplo, o futebol (não estou querendo dizer que o indivíduo não deva ter um time para torcer, é certo que todos nós precisamos de diversão, mas falo da paixão exorbitante que não traz nada produtivo para si, nem para sociedade, mas sim apenas prazeres momentâneos e muito dinheiro para o bolso de uma minoria). Não quero dizer também que os indivíduos devam efetivar as praticas citadas acima pela política, mas sim irem às ruas fazer protestos em prol da sociedade ou então fazer isso por meio das mídias sociais, irem às câmaras concordar e/ou discordar dos assuntos que são debatidos por lá, criarem projetos populares (é certo que há uma imensa dificuldade, reconheço, mas não é impossível), etc. É isso que os indivíduos deveriam fazer caso amassem a política como amam o futebol.

É muito importante ser observado que o esporte é apenas um exemplo, não descartando a possibilidade de haverem mais coisas desnecessárias.

(Hélio Costa, no AraquémNews)

Deste blogue:
Não que o esporte seja desnecessário, muito pelo contrário. No entanto, o que vemos é uma mercantilização do esporte, do lazer, do tempo livre..., que torna um time de futebol e uma competição esportiva qualquer mais do que deveria ser - a saber, uma ocasião festiva e de confraternização -, para vir à tona um fetiche, a idolatria, fanatismo e animalização. De fato, se o brasileiro gastasse metade da atenção que emprega ao futebol em questões de interesse comum, poderíamos ter muito mais avanços sociais.

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